Recebi um email com uma piada sacaneando o Lula... até aí tudo bem... nada demais.. até dá pra rir... mas como achei e acho muitas vezes que essas piadas mais revestem um teor preconceituoso e nao carregado sim de um posicionamente politico embasado, com boas e verdadeiras argumentações.... eu resolvi responder...
O email com a piada:
"Ahahahaha... muito boa!
No dia 02 de Janeiro de 2011, um senhor idoso se aproxima do Palácio da Alvorada e, depois de atravessar a Praça dos Três Poderes, falou com o "Dragão da Independência" que montava guarda:
"Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Lula."
O soldado olhou para o homem e disse:
"Senhor, o Sr. Lula não é mais presidente e não mora mais aqui desde ontem."
O homem disse:
"Está bem", e se foi.
No dia seguinte, o mesmo homem idoso se aproximou do Palácio da Alvorada e falou com o mesmo "Dragão":
"Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Lula."
O soldado novamente disse:
"Senhor, como lhe falei ontem, o Sr. Lula não é mais presidente nem mora aqui desde anteontem."
O homem agradeceu e novamente se foi.
Dia 04 de janeiro ele volta e se aproxima do Palácio Alvorada e falou com o mesmo guarda:
"Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Lula."
O soldado, compreensivelmente irritado, olhou para o homem e disse:
"Senhor, este é o terceiro dia seguido que o Senhor vem aqui e pede para falar com o Sr. Lula. Eu já lhe disse que ele não é mais o presidente, nem mora mais aqui. O Senhor não entendeu?"
O homem olha para o soldado e disse:
"Sim, eu compreendi perfeitamente, mas eu ADORO ouvir isso!"
O soldado, em posição de sentido, prestou uma vigorosa continência e disse:
"Até amanhã, Senhor!!!"
essa e uma corrente que nao pode ser quebrada.....por isso manda pelo menos para 20 amigos....senao...vc recebera uma praga e ficara com Lula e seu bando por mais 8 anos......nao arrisque...."
Segue minha resposta:
Não sou PT nem Dilma. Sou Lula. Seu governo foi o melhor de todos os tempos para o Brasil com todos os seus erros e acertos. Por isso vou votar no sucessor(a) que ele escolheu... mesmo não gostando dela... por mais competente que tenha sido nos cargos que administrou. Gosto da Marina, mas nao vejo força presidenciavel nela.. e tenho um pingo de receio na igreja que esta por detras dela... Plinio figura, mas é facil falar e fazer o que diz estando numa situaçao de perde e nao ganha muito confortavel... e Serra, nao preciso nem dizer... mas como vem ao caso.. direi... rsrsrs Pra começar, ele é um MENTIROSO (muitos adoram dizer que a Dilma que é, pq disse ser formada em tal coisa e nao é), é um grosseiro, conservador, e sem carisma nenhum (mesmo com muitos dizendo que a Dilma que é e por isso nao pode governar). Engraçado é que muitos diziam que o Lula era "simpatico" demais... e agora depois dele... ser "GENTE BOA" virou qualidade de presidenciavel....
nao sei se vou lembrar todos os assuntos e temas que gostaria e nem as fontes... mas vou tentar me esforçar... qq coisa, aos poucos vou repassando, se quiserem, claro. Estou aqui, eu, me metendo no papo dos meus "colegas" (literalmente) de infancia... rsrs
Pra inicio de conversa... usar um EXCELENTE texto do Jorge Furtado... que acredito deve ter chegado as maos de muitos daqui... contra arugmentando "Dez falsos motivos para não votar na Dilma". MUITO BOM.
Temos que tomar MUITO cuidado com o que lemos e vemos na grande midia... sei que parece lugar comum isso.... mas o que sempre me parece lugar comum sao que as pessoas CONTINUAM acreditando e o pior reproduzindo maquinalmente (como zumbis) o que leem e veem nos grandes noticiarios... para poder argumentar porcamente suas convicçoes tortas e preconceituosas...
Outro GRANDE texto do Furtado que trata (dando um exemplo) de como o jornalismo dessa grande midia e adjacencias é POBRE, PORCA, MENTIROSA, ASQUEROSA...
Ele termina o excelente texto com essa nao menos excelente historinha..
O novo jornalismo brasileiro.
Pergunta do jornalista 1:
Quantos anos você tem?
Entrevistado:
51.
(meia hora depois)
Pergunta do jornalista 2:
O que gosta de tomar no café da manhã?
Entrevistado:
Café preto e suco de laranja.
(no dia seguinte, no jornal)
Pergunta:
O que gosta de tomar no café da manhã?
Entrevistado:
51.
Novo padrão de manipulação jornalística
Serra foi ao JN e MENTIU DESCARADAMENTE... e ainda com a supervisao NOJENTA do casal BONNER... todos devem ter visto os debates... e percebido a diferença no tratamento e nas perguntas.. quem nao viu, veja... ta no proprio site da globo...
Pra quem "discordar" ou duvidar de mim... é só ler as mentiras.... eu li no conversafiada do Paulo Henrique Amorim... que pegou do site de apoiadores do Lula... e por mais tendensioso que isso possa parecer... nao me importa... pq mesmo com posicoes posivelmente tendenciosas pro outro lado... as mentiras nao tem como ser... pois sao mentiras e as contra provas estao LÁ. Vejam!! ELE MENTE O TEMPO TODO!!! NAO CRIOU OS GENERICOS, NAO FOI O PAI DO PROGRAMA DA AIDS, O GOVERNO FHC NAO É O PAI DO PLANO REAL.. FOI NO DO ITAMAR, MESMO QUE O FHC TENHA SIDO O MIN... VEJAM NO LINK DO CONVERSA FIADA OU NESSE BLOG COM AS 12 MENTIRAS RESUMIDAS...
Serra: 12 mentiras em 12 minutos no Jornal Nacional
SERRA mentiu sobre as condicoes.. e dados desse ministerio da saude... e EM NENHUM momento os ancoras NOJENTOS contestaram... o proprio ministerio no dia seguinte fez questao de se pronunciar.... A GLOBO deu espaço pra essa resposta?????
Ministério da Saúde
Muitos dizem que a Dilma é truculenta.. nao tem carisma... é má... ditadora... guerrilheira assassina... rsrs
O Serra nao vai longe...
José Serra sugere ter amantes com discrição e reduzir impostos para evitar suicídios
Leia ate o fim pq vale a pena e tb pq tem varios videos mostrando (ilustrando) o que o texto fala...
TER AMANTES COM DISCRIÇAO??? Náo entendi entao a declaracao repugnante de seu vice (FIEL) sobre a iraniana que lula quer dar asilo... em seu twitter:
"Se o presidente oferecer asilo à adúltera iraniana via Itamaraty será mais respeitado do que pedir em comício eleitoral."
podem conferir lá - @indio
o problema nao é ser a favor ou nao de trair.. etc e tal... o que me incomoda... é a hipocrisia.. a mentira... a vilania...
E olha que em materia de vice... eu to mal pra caramba... MICHEL TEMER?????? QUE NOJO DELE... mas... fazer oq né?! Pelo menos ele ta sabendo ser vice... coisa que o indio nao....
TSE dá direito de resposta ao PT contra ‘Veja’
Sei que to escrevendo demais... mas eu gosto.... rsrsrs me da calafrios quando alguem fala "Politica nao se discute"... AAAAAHHH!!!! rs
Se tem uma coisa nessa vida, em sociedade, que DEVE ser conversado, debatida, essa coisa É POLITICA!!
Sendo num micro cosmo ou no macro... fazemos a nossa parte... nos divertimos e nos conhecemos mais... entre outras coisas...
Como é que o Serra quer falar mal do governo Lula.... se nem o governo de SP... que ele ja governou (Estado e municipio) e seu partido governa HA DECADAS... esta um CAOS... sera que o Brasil... ele vai conseguir... alias.. Brasil que o partido dele e correligionarios.. governam ha centenas de anos... e sempre mal governados... ele MENTE novamente quando tenta criticar o lula e a dilma comparando nos quesitos estradas, vias e pedagios....
Pedágio: compare os preços Serra-FHC x Dilma-Lula
É isso... teria muitas outras coisas para falar e linkar.... mas acho que já é um aperitivo... rs :P
BEIJOS A TODOS MEUS QUERIDOS CONHECIDOS E DESCONHECIDOS AMIGOS DE MEU PAI E MAE...
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Liberdade de expressão x liberdade de imprensa
Li um ótimo artigo da Sylvia Moretzsohn no site Observatório da Imprensa sobre esse tema.
Vale a leitura!!
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=532CID001
A causa da liberdade provoca paixões. Paixões que alucinam. Empolgado na defesa de sua proposta de abolição da Lei de Imprensa, na sessão em que o Supremo Tribunal Federal começava a discutir o tema, o deputado Miro Teixeira exagerou na metáfora clássica do "quarto poder": a imprensa não seria apenas representante do povo, seria o próprio povo. Assim resumiu O Globo a fala do deputado, na edição de quinta-feira (2/4):
"A imprensa são os olhos do povo. Requeiro que desapareça a possibilidade de pena a jornalista ou responsável pela publicação sempre que houver causalidade com o direito do povo e que nós possamos ter um país em que o povo possa controlar o Estado e não que o Estado possa controlar o povo, como temos hoje".
E o povo, como todo mundo sabe, "se vê" na Globo.
Caberia perguntar, então, qual o sentido da democracia e da realização regular de eleições diretas para os mais variados cargos legislativos e executivos do poder do Estado, qual o sentido da existência dos mais diversos movimentos sociais e organizações da sociedade civil, se quem nos representa – perdão: quem incorpora nossa identidade – são as empresas de comunicação?
Grandes empresas privadas de comunicação, segundo o modelo vigente no país.
Grandes empresas privadas podem ser a referência de expressão do interesse público?
Quem sabe a pergunta nem faça sentido, pois é forçoso reconhecer que, identificada com o "povo", a imprensa estabeleceria essa "linha direta" – portanto, sem mediações – comprometida com a expressão daquilo que outro deputado, em outra ocasião, chamou de "instintos mais primitivos". Afinal, o "povo" é assim.
Entretanto, vindo de quem vem, o raciocínio nem é tão surpreendente. Num passado relativamente recente, numa das muitas vezes em que os exageros televisivos expressavam precisamente esses "instintos" e levaram à discussão sobre a necessidade de se estabelecer limites para a programação, Miro Teixeira, então ministro das Comunicações, argumentava singelamente que "o melhor controle é o controle remoto" [CartaCapital, "Globo: questão de Estado", 1/10/2003]. Era uma declaração absolutamente coerente com a lógica neoliberal da democratic marketplace, na qual o cidadão é assimilado ao consumidor e o consumidor "tem sempre razão". Hoje, porém, com o abalo provocado por uma crise financeira global de consequências ainda imprevisíveis, conviria refrear um pouco esse ardor em torno do mercado.
Liberdade de expressão x liberdade de imprensaRetornemos ao argumento original. Esse "direito do povo" a que o deputado se refere é o direito à liberdade de expressão, automaticamente identificado ao da liberdade de imprensa. Seria importante desfazer o equívoco, porque afinal se trata de duas coisas diferentes: bastaria indagar, por exemplo, se o jornalista funcionário de uma empresa goza de tal liberdade; ou mesmo se "o povo" não teria a sua liberdade de expressão restrita quando envia uma carta não publicada ou – nesses tempos de "cidadãos-repórteres" – manda uma colaboração ou denúncia que acaba descartada. (Neste segundo caso, a resposta óbvia é não, porque não há jornalismo sem edição, e editar significa fazer escolhas. Jornais devem zelar por sua linha editorial. Além disso, em qualquer suporte diferente da internet, têm espaço limitado).
Mas essa confusão é muito adequada quando se deseja tratar abstratamente desse tema tão delicado que é a liberdade de imprensa, esquecendo-se convenientemente as condições concretas em que se pratica o jornalismo e os interesses envolvidos no negócio da imprensa, especialmente num contexto de forte concentração dos meios de comunicação.
Ressalvas ignoradasNa exposição de motivos em que sustenta a proposta de revogação da lei, Miro Teixeira busca fundamentação em uma série de juristas, entre os quais pelo menos dois apontam conflitos que ultrapassam a demanda específica da petição. Assim, José Joaquim Gomes Canotilho ressalta:
"A liberdade interna de imprensa (...), que implica a liberdade de expressão e criação dos jornalistas bem como sua intervenção na orientação ideológica dos órgãos de informação (...), pode considerar-se em colisão com o direito de propriedade das empresas jornalísticas".
Logo a seguir, José Afonso da Silva argumenta:
"A liberdade de informação não é simplesmente a liberdade do dono da empresa jornalística ou do jornalista. A liberdade destes é reflexa no sentido de que ela só existe e se justifica na medida do direito dos indivíduos a uma informação correta e imparcial. A liberdade dominante é a de ser informado, a de ter acesso às fontes de informação, a de obtê-la. O dono da empresa e o jornalista têm um direito fundamental de exercer sua atividade, sua missão, mas especialmente têm um dever. Reconhece-se-lhes o direito de informar ao público os acontecimentos e ideias, mas sobre eles incide o dever de informar à coletividade de tais acontecimentos e ideias objetivamente, sem alterar-lhes a verdade ou esvaziar-lhes o sentido original, do contrário, não se terá informação, mas deformação. Os jornalistas e empresas jornalísticas reclamam mais seu direito do que cumprem seus deveres".
A liberdade "natural"O jurista prossegue nos termos clássicos que reiteram o papel da imprensa como "quarto poder", elemento de expressão da vontade popular e de defesa contra os excessos do Estado. Não envereda pela discussão das questões complexas e sempre polêmicas sobre objetividade e imparcialidade, que estão no cerne da prática jornalística. Apenas anota a crítica: jornais e jornalistas reclamam mais seu direito do que cumprem seus deveres.
É quanto basta, sobretudo porque a frase jamais será mencionada – muito menos destacada – em qualquer jornal.
E, embora sirva-se do argumento de dois juristas que fazem tais ressalvas, Miro sustenta que "o pensamento e sua manifestação, assim como a informação, são naturalmente livres".
Naturalmente: vivemos num mundo – e num país – igualitário, sem coerções ou constrangimentos.
Liberdade e responsabilidadeAo justificar seu voto pela extinção total da Lei de Imprensa, o ministro Ayres Britto, relator da ação proposta pelo deputado, mencionou a necessidade de "permanente conciliação entre liberdade [para a atuação da imprensa] e responsabilidade", porque, "sob o prisma do conjunto da sociedade, quanto mais se afirma a igualdade como característica central de um povo, mais a liberdade ganha o tônus de responsabilidade". Entretanto, não explorou esse caminho, que conduziria a uma estimulante discussão sobre a suposta, ou pretendida, "mudança de paradigma" – da liberdade de imprensa para a responsabilidade da imprensa – ensejada há mais de 60 anos pelo famoso relatório da Comissão Hutchins, como Venício A. Lima expôs em artigo neste Observatório (ver "A responsabilidade social da mídia").
Pelo contrário, logo no início de sua declaração de voto, o ministro cita a Primeira Emenda da Constituição americana, sem recordar que, desde 1919, a Suprema Corte daquele país estabelece limites à livre expressão, como o advogado José Paulo Cavalcanti Filho demonstrou em artigo também publicado neste Observatório (ver "O drama da verdade – ou discurso sobre alguns mitos da informação").
A sequência do discurso é a reiteração do pensamento liberal clássico. Ayres Britto define a imprensa como "o espaço institucional que melhor se disponibiliza para o uso articulado do pensamento e do sentimento humanos como fatores de defesa e promoção do indivíduo, tanto quanto da organização do Estado e da sociedade" e considera que "é pelos mais altos e largos portais da imprensa que a democracia vê os seus mais excelsos conteúdos descerem dos colmos olímpicos da pura abstratividade para penetrar fundo na carne do real".
No entanto, deixa-se ficar na abstratividade, ao reforçar o argumento de Miro Teixeira, que vê "a imprensa como alternativa à explicação ou versão estatal de tudo que possa repercutir no seio da sociedade", e daí concluir que ela significa o "garantido espaço de irrupção do pensamento crítico em qualquer situação ou contingência" (o destaque é meu).
As "neves eternas da legalidade"Vício de jurista, talvez, como escreveu certa vez o também jurista Nilo Batista, com a verve que lhe é peculiar:
"Juristas sofrem de uma doença profissional perigosa, proveniente do contraste entre as altas temperaturas da fundição do discurso do poder e as neves eternas da legalidade compreendida pelo viés positivista, que congela esse discurso na lei. Tal enfermidade nos habilita a perceber conflitos sociais como simples deficiência de normatização, que o inesgotável Estado do bem-estar jurídico tratará logo de suprir, motivo pelo qual adquirimos a capacidade mágica de superá-los com dois ou três artigos e parágrafos. Ficamos sempre um pouco desorientados perante a força bruta que rompe os modelos legais, ansiosos por repousar no porto seguro de alguns incisos e alíneas".
(A propósito, o trecho é parte de um artigo que o autor enviou à Folha de S.Paulo, no qual tentava polemizar com um professor norte-americano que, em artigo reproduzido no caderno "Mais!", defendia a política de guerra de Bush. "Tentou em vão", como escreveu na revista da qual é editor, e na qual finalmente publicou seu texto. "Parece que a opinião de juristas brasileiros, salvo poucas exceções, não interessa muito ao `Mais!´, ou interessa mais ou menos").
Penetrando "a carne do real"Assim, só é possível pensar que a imprensa é esse "garantido espaço de irrupção do pensamento crítico" se desconsiderarmos as situações objetivas e optarmos pelo consolo dos incisos e alíneas, como numa paráfrase à máxima do Direito: dentro da lei, dentro da vida.
Dessa forma, o ministro pode afirmar que "quem quer que seja pode dizer o que quer que seja". Pode, ainda, elogiar o caminho da autorregulação da imprensa, buscando o exemplo do noticiário sobre o parlamentar americano que se suicidou em frente às câmeras: as imagens foram congeladas antes do disparo fatal. Entretanto, se quisesse "penetrar fundo na carne do real", poderia ficar por aqui mesmo e recordar o recente episódio da cobertura em "tempo real" do sequestro e assassinato da jovem Eloá Pimentel, em Santo André; ou do acompanhamento ao vivo do "caso Isabella"; ou dos ataques do PCC em São Paulo, em 2006; e paremos por aqui porque a lista é interminável.
Um equívoco de origem ancestralComo se há de perceber, este artigo não pretendeu discutir a necessidade ou não de uma Lei de Imprensa, embora esta seja uma questão de extrema relevância. Pretendeu apenas demonstrar os descaminhos de um debate central para a cidadania, quando se desconsidera a realidade concreta para a definição do direito de informar e ser informado.
Não seria possível concluir sem mencionar uma hipótese para as origens desse equívoco tradicional que suspeita do poder do Estado e aceita placidamente o poder econômico. Como argumentei certa vez, a idéia de autonomia ou independência da imprensa significa implicitamente autonomia ou independência em relação ao Estado – o que ratifica o conceito de "quarto poder" –, enquanto a dependência em relação ao poder econômico é vista como parte da ordem natural das coisas.
A origem dessa dicotomia sugere uma remissão completamente descontextualizada ao entendimento do mercado como uma extensão da vida doméstica, na qual os cidadãos deliberam "livremente". Ou seja, enquanto a naturalização do papel político da imprensa como fiscal do poder tem dois séculos, a naturalização da subordinação da imprensa às leis do mercado é um pouco mais antiga: remete à polis grega, ao oikos como extensão da vida privada.
O que mais impressiona é que, na era da mais extrema concentração de capital do mundo globalizado, esse equívoco ainda sobreviva.
Vale a leitura!!
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=532CID001
A causa da liberdade provoca paixões. Paixões que alucinam. Empolgado na defesa de sua proposta de abolição da Lei de Imprensa, na sessão em que o Supremo Tribunal Federal começava a discutir o tema, o deputado Miro Teixeira exagerou na metáfora clássica do "quarto poder": a imprensa não seria apenas representante do povo, seria o próprio povo. Assim resumiu O Globo a fala do deputado, na edição de quinta-feira (2/4):
"A imprensa são os olhos do povo. Requeiro que desapareça a possibilidade de pena a jornalista ou responsável pela publicação sempre que houver causalidade com o direito do povo e que nós possamos ter um país em que o povo possa controlar o Estado e não que o Estado possa controlar o povo, como temos hoje".
E o povo, como todo mundo sabe, "se vê" na Globo.
Caberia perguntar, então, qual o sentido da democracia e da realização regular de eleições diretas para os mais variados cargos legislativos e executivos do poder do Estado, qual o sentido da existência dos mais diversos movimentos sociais e organizações da sociedade civil, se quem nos representa – perdão: quem incorpora nossa identidade – são as empresas de comunicação?
Grandes empresas privadas de comunicação, segundo o modelo vigente no país.
Grandes empresas privadas podem ser a referência de expressão do interesse público?
Quem sabe a pergunta nem faça sentido, pois é forçoso reconhecer que, identificada com o "povo", a imprensa estabeleceria essa "linha direta" – portanto, sem mediações – comprometida com a expressão daquilo que outro deputado, em outra ocasião, chamou de "instintos mais primitivos". Afinal, o "povo" é assim.
Entretanto, vindo de quem vem, o raciocínio nem é tão surpreendente. Num passado relativamente recente, numa das muitas vezes em que os exageros televisivos expressavam precisamente esses "instintos" e levaram à discussão sobre a necessidade de se estabelecer limites para a programação, Miro Teixeira, então ministro das Comunicações, argumentava singelamente que "o melhor controle é o controle remoto" [CartaCapital, "Globo: questão de Estado", 1/10/2003]. Era uma declaração absolutamente coerente com a lógica neoliberal da democratic marketplace, na qual o cidadão é assimilado ao consumidor e o consumidor "tem sempre razão". Hoje, porém, com o abalo provocado por uma crise financeira global de consequências ainda imprevisíveis, conviria refrear um pouco esse ardor em torno do mercado.
Liberdade de expressão x liberdade de imprensaRetornemos ao argumento original. Esse "direito do povo" a que o deputado se refere é o direito à liberdade de expressão, automaticamente identificado ao da liberdade de imprensa. Seria importante desfazer o equívoco, porque afinal se trata de duas coisas diferentes: bastaria indagar, por exemplo, se o jornalista funcionário de uma empresa goza de tal liberdade; ou mesmo se "o povo" não teria a sua liberdade de expressão restrita quando envia uma carta não publicada ou – nesses tempos de "cidadãos-repórteres" – manda uma colaboração ou denúncia que acaba descartada. (Neste segundo caso, a resposta óbvia é não, porque não há jornalismo sem edição, e editar significa fazer escolhas. Jornais devem zelar por sua linha editorial. Além disso, em qualquer suporte diferente da internet, têm espaço limitado).
Mas essa confusão é muito adequada quando se deseja tratar abstratamente desse tema tão delicado que é a liberdade de imprensa, esquecendo-se convenientemente as condições concretas em que se pratica o jornalismo e os interesses envolvidos no negócio da imprensa, especialmente num contexto de forte concentração dos meios de comunicação.
Ressalvas ignoradasNa exposição de motivos em que sustenta a proposta de revogação da lei, Miro Teixeira busca fundamentação em uma série de juristas, entre os quais pelo menos dois apontam conflitos que ultrapassam a demanda específica da petição. Assim, José Joaquim Gomes Canotilho ressalta:
"A liberdade interna de imprensa (...), que implica a liberdade de expressão e criação dos jornalistas bem como sua intervenção na orientação ideológica dos órgãos de informação (...), pode considerar-se em colisão com o direito de propriedade das empresas jornalísticas".
Logo a seguir, José Afonso da Silva argumenta:
"A liberdade de informação não é simplesmente a liberdade do dono da empresa jornalística ou do jornalista. A liberdade destes é reflexa no sentido de que ela só existe e se justifica na medida do direito dos indivíduos a uma informação correta e imparcial. A liberdade dominante é a de ser informado, a de ter acesso às fontes de informação, a de obtê-la. O dono da empresa e o jornalista têm um direito fundamental de exercer sua atividade, sua missão, mas especialmente têm um dever. Reconhece-se-lhes o direito de informar ao público os acontecimentos e ideias, mas sobre eles incide o dever de informar à coletividade de tais acontecimentos e ideias objetivamente, sem alterar-lhes a verdade ou esvaziar-lhes o sentido original, do contrário, não se terá informação, mas deformação. Os jornalistas e empresas jornalísticas reclamam mais seu direito do que cumprem seus deveres".
A liberdade "natural"O jurista prossegue nos termos clássicos que reiteram o papel da imprensa como "quarto poder", elemento de expressão da vontade popular e de defesa contra os excessos do Estado. Não envereda pela discussão das questões complexas e sempre polêmicas sobre objetividade e imparcialidade, que estão no cerne da prática jornalística. Apenas anota a crítica: jornais e jornalistas reclamam mais seu direito do que cumprem seus deveres.
É quanto basta, sobretudo porque a frase jamais será mencionada – muito menos destacada – em qualquer jornal.
E, embora sirva-se do argumento de dois juristas que fazem tais ressalvas, Miro sustenta que "o pensamento e sua manifestação, assim como a informação, são naturalmente livres".
Naturalmente: vivemos num mundo – e num país – igualitário, sem coerções ou constrangimentos.
Liberdade e responsabilidadeAo justificar seu voto pela extinção total da Lei de Imprensa, o ministro Ayres Britto, relator da ação proposta pelo deputado, mencionou a necessidade de "permanente conciliação entre liberdade [para a atuação da imprensa] e responsabilidade", porque, "sob o prisma do conjunto da sociedade, quanto mais se afirma a igualdade como característica central de um povo, mais a liberdade ganha o tônus de responsabilidade". Entretanto, não explorou esse caminho, que conduziria a uma estimulante discussão sobre a suposta, ou pretendida, "mudança de paradigma" – da liberdade de imprensa para a responsabilidade da imprensa – ensejada há mais de 60 anos pelo famoso relatório da Comissão Hutchins, como Venício A. Lima expôs em artigo neste Observatório (ver "A responsabilidade social da mídia").
Pelo contrário, logo no início de sua declaração de voto, o ministro cita a Primeira Emenda da Constituição americana, sem recordar que, desde 1919, a Suprema Corte daquele país estabelece limites à livre expressão, como o advogado José Paulo Cavalcanti Filho demonstrou em artigo também publicado neste Observatório (ver "O drama da verdade – ou discurso sobre alguns mitos da informação").
A sequência do discurso é a reiteração do pensamento liberal clássico. Ayres Britto define a imprensa como "o espaço institucional que melhor se disponibiliza para o uso articulado do pensamento e do sentimento humanos como fatores de defesa e promoção do indivíduo, tanto quanto da organização do Estado e da sociedade" e considera que "é pelos mais altos e largos portais da imprensa que a democracia vê os seus mais excelsos conteúdos descerem dos colmos olímpicos da pura abstratividade para penetrar fundo na carne do real".
No entanto, deixa-se ficar na abstratividade, ao reforçar o argumento de Miro Teixeira, que vê "a imprensa como alternativa à explicação ou versão estatal de tudo que possa repercutir no seio da sociedade", e daí concluir que ela significa o "garantido espaço de irrupção do pensamento crítico em qualquer situação ou contingência" (o destaque é meu).
As "neves eternas da legalidade"Vício de jurista, talvez, como escreveu certa vez o também jurista Nilo Batista, com a verve que lhe é peculiar:
"Juristas sofrem de uma doença profissional perigosa, proveniente do contraste entre as altas temperaturas da fundição do discurso do poder e as neves eternas da legalidade compreendida pelo viés positivista, que congela esse discurso na lei. Tal enfermidade nos habilita a perceber conflitos sociais como simples deficiência de normatização, que o inesgotável Estado do bem-estar jurídico tratará logo de suprir, motivo pelo qual adquirimos a capacidade mágica de superá-los com dois ou três artigos e parágrafos. Ficamos sempre um pouco desorientados perante a força bruta que rompe os modelos legais, ansiosos por repousar no porto seguro de alguns incisos e alíneas".
(A propósito, o trecho é parte de um artigo que o autor enviou à Folha de S.Paulo, no qual tentava polemizar com um professor norte-americano que, em artigo reproduzido no caderno "Mais!", defendia a política de guerra de Bush. "Tentou em vão", como escreveu na revista da qual é editor, e na qual finalmente publicou seu texto. "Parece que a opinião de juristas brasileiros, salvo poucas exceções, não interessa muito ao `Mais!´, ou interessa mais ou menos").
Penetrando "a carne do real"Assim, só é possível pensar que a imprensa é esse "garantido espaço de irrupção do pensamento crítico" se desconsiderarmos as situações objetivas e optarmos pelo consolo dos incisos e alíneas, como numa paráfrase à máxima do Direito: dentro da lei, dentro da vida.
Dessa forma, o ministro pode afirmar que "quem quer que seja pode dizer o que quer que seja". Pode, ainda, elogiar o caminho da autorregulação da imprensa, buscando o exemplo do noticiário sobre o parlamentar americano que se suicidou em frente às câmeras: as imagens foram congeladas antes do disparo fatal. Entretanto, se quisesse "penetrar fundo na carne do real", poderia ficar por aqui mesmo e recordar o recente episódio da cobertura em "tempo real" do sequestro e assassinato da jovem Eloá Pimentel, em Santo André; ou do acompanhamento ao vivo do "caso Isabella"; ou dos ataques do PCC em São Paulo, em 2006; e paremos por aqui porque a lista é interminável.
Um equívoco de origem ancestralComo se há de perceber, este artigo não pretendeu discutir a necessidade ou não de uma Lei de Imprensa, embora esta seja uma questão de extrema relevância. Pretendeu apenas demonstrar os descaminhos de um debate central para a cidadania, quando se desconsidera a realidade concreta para a definição do direito de informar e ser informado.
Não seria possível concluir sem mencionar uma hipótese para as origens desse equívoco tradicional que suspeita do poder do Estado e aceita placidamente o poder econômico. Como argumentei certa vez, a idéia de autonomia ou independência da imprensa significa implicitamente autonomia ou independência em relação ao Estado – o que ratifica o conceito de "quarto poder" –, enquanto a dependência em relação ao poder econômico é vista como parte da ordem natural das coisas.
A origem dessa dicotomia sugere uma remissão completamente descontextualizada ao entendimento do mercado como uma extensão da vida doméstica, na qual os cidadãos deliberam "livremente". Ou seja, enquanto a naturalização do papel político da imprensa como fiscal do poder tem dois séculos, a naturalização da subordinação da imprensa às leis do mercado é um pouco mais antiga: remete à polis grega, ao oikos como extensão da vida privada.
O que mais impressiona é que, na era da mais extrema concentração de capital do mundo globalizado, esse equívoco ainda sobreviva.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Ronaldo e você, tudo a ver!
Assumo. Sou flamenguista. Doente. Não vou dizer que não queria ver o Ronaldo fenômeno vestindo a camisa rubro-negra. Seu time de coração, segundo ele próprio. Mas também não fazia tanta questão assim, ainda mais pelo seu estado físico. Contudo, estrela é estrela e é sempre bom tê-los conosco.
Não que esse assunto seja algo muito importante para o mundo, no entanto, como flamenguista e sempre desconfiado das relações extra-campo e das coisas que acontecem por detrás das câmeras, resolvi fazer esse texto.
Uma coisa está me intrigando muito. Essa contratação do fenômeno pelo Corinthians está me cheirando muito mal. Na verdade, não que esteja cheirando mal, envolvendo corrupção ou coisa do tipo, apesar de não descartar essa hipótese, mas declarações do próprio Ronaldo, do Márcio Braga - presidente do Flamengo e a cobertura da Rede Globo estão me deixando um tanto intrigado.
Achei muito trânquila e resignada a posição dos diretores do Clube de Regatas Flamengo, principalmente por demonstrarem-se, anteriormente, muito interessados e envolvidos em ajudar Ronaldo a se recuperar e possivelmente contratá-lo para 2009. E agora, do nada, ele vai para um clube brasileiro, paulista, rival e dizendo que o time carioca não ofereceu nenhum projeto ou coisa do tipo. Péra lá!! Será que não mesmo????
Aí que eu acho que entra a Rede Globo nessa história. Algum dedo dela tem nessa contratação e o CLUBE DE REGATAS FLAMENGO sabe de tudo e está deixando e, claro, para estar deixando, deve estar recebendo alguma coisa em troca... vai saber...
Se estão errados, se isso é ilegal, anti-ético.... já nem sei... só estou colocando a questão e querendo saber por que isso não se torna aberto. Ou pelo menos as pessoas discutam de maneira mais honesta (claro, se essa minha hipótese estiver correta).
Tive essa sensação aumentar ainda mais hoje (quinta-feira, 11-12-2008) ao assistir o Globo Esporte e no final o Ronaldo visitar o estúdio para fechar o programa fazendo gracejos com os apresentadores e assinando a camisa do Corinthians para promoção com o telespectador.
Questões que me fazem pensar que a Globo colocou Ronaldo no Corinthians:
- Primeiro de tudo. Ronaldo traz dinheiro. Isso é Óbvio!
- Ronaldo vindo para o Brasil tem que vir para time de massa. Quais são os dois maiores times de massa do Brasil? Flamengo e Corinthians. Assim vende-se mais ingressos, mais camisas e outros produtos, mais audiência, etc, etc, etc...
- São Paulo é "mil" vezes maior que o Rio de Janeiro, não só em extensão, como em população.
- O campeonato paulista além de ser um dos maiores campeonatos do mundo em competitividade, tem mil vezes mais estrutura, qualidade e audiência que o campeonato carioca.
- E para terminar, nunca a Rede Globo transmitiu segunda divisão. E segundo me contaram (parentes paulistas) alguns (senão todos) jogos do Corinthians aos sábados foram trasmitidos pela Rede Globo. Não estou certo, mas não lembro disso acontecer com o galo, Palmeiras, Grêmio, etc....
- E por último e até mais óbvio, o contrato do fenômeno com a Nike. Ficou claro que as relações do Flamengo com a Nike esse ano de 2008 não foram muito boas. E talvez nem venha a continuar como patrocinardora do clube. E no Corinthians o patrocínio com a empresa vai indo muito bem.
Não podemos negar. A Rede Globo manda no esporte brasileiro. Pelo menos nos esportes de massa, como futebol, vôlei, corrida, entre outros...
Vou deixar este post em aberto ainda. Espero contribuições e críticas (caso necessite) para que eu fique mais por dentro do que está acontecendo... e quem sabe a carapuça de alguns cair. Foram só impressões de um flamenguista decepcionado, mas que após o Globo Esporte de hoje passou a desconfiar dessa transação.
Não gosto de ver essas artimanhas sujas e por debaixo dos panos com funcionários dessa emissora fazendo carinhas e escrevendo textos como se não soubessem de nada. Estou louco pra ver essas turminhas ficarem com cara de cú alguma hora... rs... A internet nos ajuda muito nesses novos tempos... Antigamente o que Eles diziam ficava por isso mesmo. Agora não. Na política ou no esporte, micro ou macro, a mentira e a corrupção tem que pelo menos diminuir ou ficar mais latente, ciente.
Espero que num futuro não me torne um velho que diz ter aprendido a não mais bater de frente com o sistema e passar a ser um surdo e mudo que se tornou bem sucedido que paga minhas contas e que sabe que não pode mais mudar o mundo... nem que seja um tantinho só, junto com outros que pensam igual. Sei das dificuldades, mas acredito na força dos que pensam diferente.
Vamos ver se o fenômeno vai dar essas entrevistas em outras emissoras, fazer promoções... assim saberemos mais se a Globo está com privilégios ou não nessa história.
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