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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Ética automobilística II

Acho que as coisas não estão boas mesmo. Mal fiz o primeiro post e já me vejo aqui, novamente obrigado a postar outro sobre o mesmo assunto...

Esses dias vi um noticiário na Globonews sobre o impulso nas vendas de carros usados na capital paulista. Não é a primeira e acredito que não será a última vez que me surpreendo com esse tipo de matéria.


quinta-feira 27/11/2008

Será que é disso mesmo que São Paulo, ou qualquer outra cidade esteja precisando??? Aí, novamente me pergunto: Até onde vai a responsabilidade dos meios de comunicação ao produzirem esse tipo de reportagem? Não estou querendo questionar que não façam essas matérias, ou até mesmo que vendam carros, mas sim em fazer essas, e quase todas as outras matérias, dessa forma. Mas de que forma?? Poderiam me perguntar. Essa forma (quase como uma fórmula) de anular, isolar questões que, a princípio, são as mesmas ou estão interligadas. A questão da poulição está diretamente ligada ao consumo irrefreável de carros; assim como o trânsito caótico, e por aí vai.... O que a grande mídia faz, quando monta uma matéria, uma pauta nesses moldes, está automaticamente isolando os princípios das verdadeiras questões. Carro está diretamente ligado a emissão de poluentes, entre outras coisas. Assim como nós, seres humanos, que estamos ligados uns aos outros, socialmente falando. Não sou jornalista e acredito que devo aprender muito sobre esse maravilhoso ofício, mas acredito que ao se montar matérias como essas, deve-se levar em conta (como princípio ético, aliás!) que um assunto pode estar interligado a outros. Assuntos de interesse e resposabilidade social como o caos urbano e ambiental que se tornou a nossa frota de carros circulando pelas rodovias. Por isso acredito que cabe ao universo midiático não se omitir de suas responsabilidades éticas sociais.

Depois não gostam que chamem tais reportagens de "matérias compradas"... não afirmamos nada... apenas fica a impressão...

Acho engraçado quando fazem uma matéria toda "bonitinha", "preocupada" e "responsável" tratando dos problemas advindos do caos nos trânsito...


segunda-feira 22/09/2008

... em nenhum momento a reportagem cita o estímulo que os próprios meios e o governo dão à venda de carros. Sempre com o argumento do estimulo ao desenvolvimento econômico, mais empregos, mais isso, mais aquilo... e coerêmcia que é bom, nada... "Claro, não podemos atrapalhar as vendas de quem nos paga..."

Quando fazem uma reportagem que se estimula o crescimento econômico, como na primeira matéria, não vejo em nenhum momento discutirem quais poderiam ser as conseqüências das vendas desses carros maravilhosos ao ambiente social, a não ser "estimulos" à nossa economia... Meu Deus, está faltando ética!!! Não está??? E se está faltando ética, é crime, ou algo muito próximo. Não venham falar que o mundo é assim, que estou sendo juvenil, ingênuo... sei da realidade, sei que nas relações o buraco é mais embaixo. Só acho que, precisamos usar desses "novos" meios de comunicação que são os blogs e afins para colocar cada vez mais o dedo na ferida, questionar, ir de encontro com o que não acreditamos mais.... Queremos, pelo menos, ver a mídia discutir a própria mídia. Ou são tão intocáveis? E se estão fazendo auto-análise, não estou vendo ou está muito pouco! Se é que está havendo!



Tem um filme documentário muito interessante chamado "Orwell Se Revira No Seu Túmulo" (no original "Orwell Rolls In His Grave"), dirigido por Robert Kane Pappas. O filme investiga o que a mídia não gosta de falar: Sobre si.
Reconstituindo meticulosamente o processo pelo qual a imprensa têm distorcido e frequentemente negado acontecimentos noticiosos reais, Pappas apresenta uma eloquente e fascinante mistura de profissionais da mídia e de orientadoras vozes intelectuais na imprensa.

Orwell Se Revira No Seu Túmulo


Para quem quer baixar em torrent:

Orwell se revira no seu túmulo (lengenda em português)


Outro filme que trata desse assunto é o média documentário brasileiro chamado "Sociedade do Automóvel", com duração de 40 minutos e direção de Branca Nunes e Thiago Benicchio.


Sociedade do Automóvel


O documentário é sobre São Paulo, mas serve para a maioria das grandes metrópoles. Vale conferir.

Para terminar, nada como lembrar as propagandas que passam nos intervalos desses noticiários:



Ética Automobilística I

Realidade vs Ficção. Essa é a relação entre o que vivemos quando saímos às ruas e quando ligamos a tv e vemos um dos zilhões de novos comerciais de carros lançados no mercado.

Vivo na capital do Rio de Janeiro. Apesar de hoje em dia isso não ser mais definidor da questão aqui abordada, pois percorro diversas pequenas cidades e me vejo preso em trânsitos, ar poluído, carros a toda velocidade, etc... Um exemplo concreto (sem trocadilho): Quem já foi, está, ou ainda vai para Ouro Preto (cidade histórica, importante e linda de MG) pode perceber o que estou falando. Cidade turística de pequeno porte, mas que não está mais suportando a quantidade de carros, motos e ônibus dentro dela, principalmente o centro. O cheiro da fumaça é insuportável, os carros não te deixam mais passear à vontade, a vista não é mais a mesma com tanto carro estacionado e circulando. Isso Ouro Preto. Cidade pequena. Agora voltamos ao Rio de Janeiro, que também é turística, no entanto é MUITO maior que a cidade mineira.

As ruas hoje em dia são moldadas por carros! Não existe mais espaço onde não tenha carros estacionados. As calçadas não são mais traçadas pelas guias, mas sim por carros. Vivemos sob o domínio do som. Do som dos automóveis, do trânsito (e dos canteiros de obras!!! Aaaahh!!! Tem um prédio sendo construído do meu lado!!!! rs). O cheiro de poluição fica impregnado em nossas roupas e cabelos quando voltamos para casa (um fumante talvez não perceba isso.... rs).

A violência no trânsito é um problema cada vez maior e mais sério em nosso país. Atravessar uma rua no sinal fechado para os carros hoje em dia se tornou um risco também. Temos que esperar bem atentos para cruzar a faixa. Tempos atrás (sem querer ser nostálgico, até porque não tenho idade para isso e não gosto de nostalgia) marcávamos os momentos de trânsito por horários de pico e datas do ano. Hoje não mais. Toda hora é de pico e todo dia tem seus motivos para o trânsito ficar parado. Seja por obra, por acidente ou por fluxo mesmo.

Essa é a nossa realidade. Apenas quero refletir sobre isso. Não quero ser ranzinza e chato, mas tá foda!!

Aí que entra o mundo da ficção. Quando voltamos desse inferno urbano pós-moderno seja lá mais o que for isso, sentamos nossas bundas no sofá e ligamos a tv (eu cada vez menos faço isso. Ela está mentindo demais para mim, e ainda dá umas risadinhas na minha cara) assistimos coisa desse tipo:



Tudo bem, o comercial é "engraçado", isso e aquilo. Mas vem cá... tá vendendo carro ou disco? De novo, tudo bem. Como estão vendendo carro eles mostram todo o design e desempenho. Mas péra lá! Carro não se coloca no armário e nem se deixa só na garagem. Você o usa nas ruas, junto com (infelizmente) vários outros carros, pessoas, transporte público. Esse carro emite ruído, poluição, etc... Não imagino um comercial de carro diferente ou que me mostre todos esses problemas, senão não venderia.

E posso, em parte até concordar. Imagine uma situação muito normal entre os seres humanos: Eu sou um cara boa pinta, legal, inteligente, contudo também tenho defeitos e problemas, mas quero conquistar uma garota. Fica quase óbvio que ao abordar e conhecer a moça não irei falar e mostrar esses meus defeios e problemas... não é?! Então, da mesma forma, imagino eu, os donos das marcas de carros e marketeiros façam a mesma coisa. Mas será que eles estão certos? Será que a situação é a mesma? Será que a responsabilidade aí incutida vale para ambas as situações? E a ética? Ainda existe isso? Eu acho que sim. Por isso o post. Não sou marketeiro e nem especialista em carros, por isso não me venham me perguntar que comercial fazer e como fazer para vender carros sendo ético e responsável socialmente. Até porque eu diria para não se vender mais carro na quantidade que se vende e muito menos com combustíveis que poluam.

A única ética que funciona para eles (atenção!! momento lugar comum!! rs) é a ética do lucro! Mas não deveria ser. Podem ter lucro? Podem. Mas assim? Eu acho que não deveria ser. Não confio e não gosto das pessoas que preferem os fins aos meios. O mundo é o que é muito por esse tipo de indivíduo, que para ele os fins justificam os meios. E tudo vira uma pseudo festa. "Eeeeeee!! Tá tudo bem!! O mundo é assim mesmo!! Parem de ser chatos, certinhos!! Conquistem o de vocês! Eu conquistei o meu!! Me deixem!" Esse papo não dá mais.

Outro lado dentro dessa ficção, desse espetáculo da mentira e usura está nos próprios meios de comunicação! Ah! Sempre eles!!! rs
Não param de noticiar a violência no trânsito, as ruas e avenidas paradas são sempre matéria diária nos telejornais...



poluição, então, entrou de vez na pauta...



mas na hora dos intervalos comercias dessas mesmas emissoras o que mais aparece???? O quê?? O quê?? Claro, além de cerveja, casas bahia, bunda e celular.............. Comercial de carro!!!



Então acho que é isso. Cada um com seu cada um. Mas o meu cada um é estar de saco cheio de tanta mentira, tanto carro, tanta poluição, tanto trânsito... ... por isso meter pau nisso tudo, fazer a gente discutir mais é minha vontade. Ver o que queremos e pra onde queremos ir... Não vejo o carro como um problema. Pelo contrário. Uma evolução da sociedade. Nossas conquistas estão diretamente relacionadas a velocidade com que conseguimos nos transportar e os carros nos ajudaram muito nisso. Porém, vejo duas questões principais nisso tudo: Primeiro é o uso dos combustíveis. Já é mais que viável e possivel usar formas NÃO poulidoras (elétrico, ar, água, etc...). O segundo ponto são os meios de comunicação junto com as empresas de publicidade (claro, junto com as empresas automobilíticas) que criam e veiculam essas mentiras "engraçadinhas" e "bem boladas", cheio de efeitos e criatividade, mas que não têm nenhum comprometimento com a realidade e com a sociedade. Tá na hora de ficar claro que o mercado não deve ter essa autonomia desvinculada de suas responsabilidades éticas sociais, humanas. Até por que na hora do lucro a sociedade (representada por um Estado) deve se manter o mais distante possível, para não atrapalhar e criar "suas ditaduras comunistas maléficas", mas na hora do quebra-quebra, das crises financeiras (que pra mim não passam de lorota. Alguém deve estar rindo muito da gente no meio dessas crises) o mercado vem mansinho pedir empréstimos para a sociedade.

Bônus para eles. ônus para a gente.

Chega.