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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Faltou educação!


Recebi semanas atrás um e-mail intitulado "CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA". Numa mistura de felicidade e tristeza, li com muita atenção o texto em que a viúva de Paulo Freire, um dos maiores pensadores que o mundo contemporâneo já produziu, escreveu para responder a um artigo publicado na revista em setembro deste ano.
Segue um trecho do artigo e em seguida a resposta de Nita.

VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA
Publicado em 12 de setembro de 2008 às 10:38

por CONCEIÇÃO LEMES


Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O que estão ensinando a ele? De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

"Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado".

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio, por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas, camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire.


Eu tenho nojo dessa revista. Eisntein deve ter se revirado em seu túmulo ou trocado risadas irônicas ao lado de Freire aonde quer que estejam. Viva Einstein e Freire!

5 comentários:

Anônimo disse...

Eu acredito na teoria de que, na verdade, não são seres humanos os jornalistas que escrevem aquela BOSTA chamada VEJA.

São baratas mutantes que mandam boletins semanais ao planeta terra, que são recebidos por uma parabólica de última geração na sede do PFL em São Paulo.

Jornalismo marrom e irresponsável?

Basta gastar parte do seu salário lendo a VEJA.

Que nojo!

diana sandes disse...

o brasil não é lindo?

eita...

bomficarsabendo disse...

Uma vergonha mesmo... faz parte da democracia, mas nela também faz parte sentirmos nojo, vergonha...

Glauciane Carvalho disse...

Estamos no Estado Democrático de Direito, ainda que a opinião da Veja seja totalmente contrária ao que pensamos. Ainda, que ela possa defender a aristocracia brasileira. Temos que respeitar a oposição que ela faz à Paulo Freire.
Em minha visão, "toda a unanimidade é burra", e o nosso mestre Paulo Freire deixou-nos um legado: o de respeitarmos o nosso próximo. Sua história será propagada por séculos no Brasil, mesmo que tenha uma visão esquerdista, existe algo em Paulo Freire, que é ,peculiarmente, muito forte: o amor e o respeit à Educação, e isso ativistas direitista jamais apagarão do corações de pessoas como nós, que irão perpetuar seus ensinamentos. Eles podem tentar, mas jamais conseguirão, temos é que apenas dar uma gargalhada com tamanha falta de saber dessas jornalista da Veja...
Glauciane Carvalho
estudante de Direito - RJ

bomficarsabendo disse...

A grande questão não é a opinião alheia... mas sim a falta de respeito e maneira rasteira, cretina de se fazer uma matéria... somente isso... não acredito que devemos impedir essas pessoas de escrever isso... mas ao fazer, nós colocaremos nossa opinião também...